O cenário político brasileiro ao longo da sua história possui marcas de homens idealizadores, homens que procuraram fazer da política a alternativa mais eficaz para as transformações necessárias dentre tantos os problemas existentes nesse país, o que teoricamente torna-se óbvio. Ainda nessa perspectiva o Brasil foi governado por mais de quinze anos pelo gaúcho, advogado, de estatura mediana, mas de forte personalidade, ou seja, nesse período o país foi comandado pelo senhor Getúlio Dornelles Vargas. A partir do momento que o Brasil começou a ser administrado por Getúlio ainda não era possível imaginar quão grande seriam as mudanças de comportamento e das formas de governar desse, o quanto seria capaz de possuir duplas faces, desde aquela do Vargas ditador àquela figura histórica do “pai dos pobres”. Portanto, apesar de ser considerado como um dos maiores políticos de todos os tempos no Brasil, a morte do homem/político Getúlio Vargas se deu da forma mais trágica que poderia haver com alguém tão importante como o era. Foi através do suicídio, ocorrido no dia 24 de agosto de 1954, que Vargas achou o melhor caminho para não sair da política como um derrotado e que por conseguinte não saísse facilmente da memória daqueles que deveriam ver esse ato como uma demonstração de coragem, logo o povo brasileiro o idolatrou, algo que já estava acontecendo e que se alastrou com a sua morte.
A fase da primeira república no Brasil pode ser considerada como um momento de dominação das forças militares, como também com o predomínio de algumas representações políticas em determinadas regiões do país, citando como exemplo o Rio Grande do Sul na figura de Pinheiro Machado. Portanto, cabe lembrar o quão era sério o cenário político brasileiro no anos que antecederam a ascensão de Getúlio ao poder. Mesmo diante das várias faces de Vargas ao longo do seu governo, ele foi um político diferente pelo fato de saber o momento certo de agir de uma forma mais radical ou então apresentando-se como o “pai dos pobres”, característica essa que trouxe inúmeras vantagens a Vargas, principalmente na sua última eleição arrastando esse carisma até o momento de sua morte. Havendo nesta uma vasta comoção por todo o país, o que torna-se notório ao observar as histórias e as imagens que permanecem na memória dos brasileiros até os dias atuais. Apesar das últimas declarações feitas pelo próprio Getúlio nos dias que antecedem a sua morte, ninguém esperava que aquele desfecho viesse a acontecer. No dia do velório de Vargas, multidões saíram as ruas, como forma de protesto manifestaram toda o seu rancor através de depredações na sede do jornal Tribuna da Impressa, o qual pertencia a Carlos Lacerda, um dos maiores adversários políticos de Getúlio. Enfim, o que levaria Vargas a cometer o suicídio?
Assim como é típico dos suicídios, a resposta da ação de tirar a própria vida morre com aquele que comete o ato. Não foi diferente com Getúlio, mesmo com todas as conturbações políticas que passava o seu governo, o fato não justifica a alternativa tomada por Vargas. Cabe lembrar, no entanto, que o mês de agosto de 1954 foi um tanto complicado, a começar pelo ocorrido do dia cinco, no qual um atentado contra Lacerda acabou a atingir, de fato, o seu acompanhante, o major da Aeronáutica Rubens Vaz, o qual não resistiu aos ferimentos. Desse modo, o relevante ocorrido acabara com a vida do major e dando assim margem as inúmeras críticas de Lacerda, aproveitando o momento e o seu jornal para levantar fortes suspeitas de que esse crime foi encomendado por Getúlio.
Percebe-se por intermédio dessas graves acusações precipitadas realizadas por Carlos Lacerda que, na verdade, Getúlio morreu no dia 24 de agosto de 1954, portanto, o seu governo começou a morrer vinte dias antes. Vargas tentou ao máximo declarar que também estava comovido com o atentado, mas apesar do seu esforço a comoção dos militares superou a do Getúlio que começava a perceber a revolta que culminava a partir desse momento no meio militar. Ressaltando que durante todo o seu governo, Getúlio enfrentara a oposição dos militares, o que se agravou ainda mais com a nomeação de João Goulart ao cargo de ministro do Trabalho, o qual possuía visões e projetos totalmente fora das perspectivas do militares, como o aumento do salário mínimo em até 100%. Assim, Goulart acabou derrubado do cargo, por pressão dos militares.
O último e contundente discurso de Getúlio foi realizado
Profº Guilherme Teles
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