Os estudos sobre a História Cultural apresentam-se cada vez mais instigantes aos pesquisadores da área, no entanto, muitas são as interpretações a respeito de História, História Cultural e Cultura. De acordo com o historiador Peter Burke “Uma solução para o problema da definição de história cultural poderia ser deslocar a atenção dos objetos para os métodos de estudo. Aqui também, no entanto, o que encontramos é variedade e controvérsia” (Burke, 2005: p. 09). Esta primeira citação de Burke a respeito da história cultural mostra a complexidade da definição, uma vez que o próprio historiador deixa claro que pode-se correr o risco de manifestar-se erroneamente ao querer mudar a atenção dos objetos para os métodos de estudo na história cultural, levando em consideração que há, neste caso, a probabilidade de variedades e controvérsias no desenvolvimento do estudo, da pesquisa que esteja relacionada à história cultural.
Burke diz no seu livro “O que é história cultural?” (Jorge Zahar Ed, 2005) que o trabalho individual dos historiadores culturais precisa ser localizado em uma das diferentes tradições culturais, geralmente definidas em termos nacionais, dessa forma, o autor deixa claro que o pesquisador deve ter em mente a idéia de culturas, pois estudar cultura é saber que, na visão de Burke, o estudioso depara-se com culturas, ou seja, uma pluralidade de tradições.
Segundo Peter Burke, a história cultural não é uma invenção ou mesmo descoberta nova, ele afirma na sua obra que a história cultural já era praticada na Alemanha (Kulturgeschichte), essa era a nomenclatura utilizada há mais de 200 anos. O historiador ainda cita que a partir de 1780 é possível encontrar histórias da cultura ou de determinadas regiões ou nações. O período que compreende de 1800 a 1950 apresenta alguns estudiosos que vão enfatizar ainda mais a história cultural, cada autor com as suas mais diversas peculiaridades, a exemplo do historiador suíço Jacob Burckardt, com a obra A cultura do Renascimento na Itália, o qual foi publicado pela primeira vez em 1860. No ano de 1919, o historiador holandês Johan Huizinga, publica o livro Outono da Idade Média, estas suas obras são citadas na obra de Burke como sendo referências para o período citado. Ainda segundo Burke, em ambas as obras está implícita a idéia de que o historiador pinta “o retrato de uma época”.
Peter Burke diz a respeito de Huizinga, que a abordagem dele à história cultural era essencialmente morfológica, Burke diz ainda que Huizinga estava preocupado com o estilo de toda uma cultura. Burke aborda também no seu livro que, o sociólogo alemão Norbert Elias, um seguidor de Marx Weber, em certos aspectos, escreveu um estudo O processo civilizador (1939) que é essencialmente uma história cultural.
Na obra de Burke é citada a questão da idéia de que cultura implica a idéia de tradição, de certos tipos de conhecimentos e habilidades legados por uma geração para a seguinte. Burke ainda faz indagações sobre conceito do que é povo, do que é cultura e/ou mesmo do que é popular, esses questionamentos levam o autor a deixar claro na sua obra o quanto é necessário aos estudiosos da área debates mais aprofundados sobre essas questões.
A partir da década de 1970 foram publicados centenas de estudos micro-históricos, focalizando os mais diversos temas, das mais variadas formas, desde o estudo da família, como também o estudo do indivíduo. O exemplo mais contundente sobre o estudo da micro-história é o livro de Ginzburg no seu livro O queijo e os vermes, uma obra da maior relevância. Burke ainda cita no seu livro os vários debates a respeito da Nova História Cultural, que em meados do século passado enfatiza a preocupação com a construção da identidade, uma das principais características dessa nova nomenclatura dada à história cultural.
Por fim, “A idéia de fronteira cultural é atraente. Pode-se até mesmo dizer que é atraente demais, porque encoraja os usuários a escorregar, sem perceber, dos usos literais aos usos metafóricos da expressão, deixando de distinguir entre fronteiras geográficas e fronteiras de classes sociais, por exemplo, entre o sagrado e o profano, o sério e o cômico, a história e a ficção” (Burke, 2005: 152). Assim, Burke deixa sua opinião de que a história cultural não desaparecerá, apesar das possíveis reações contra ela.
* Guilherme Teles é Licenciado em História pela Unit/SE. Membro pesquisador do grupo de pesquisas GEM/GPCIR do Departamento de História da UFS.
e-mail: prof_guilhermeteles@yahoo.com.brParabéns Guilherme!!! Belo texto!! Bom te ver assim produzindo, viu??? Orgulho de ter feito parte da sua vida acadêmica... Abraços
28/10/2008 20:06:52
Muito obrigado pelo elogio... forte abraço, Guilherme Teles


